Eu não aguento mais preciosismo
e palavras robustas, mas sem verdade
Não sei se é a idade do pragmatismo
ou a ilusão da liberdade.
Só sei que ando assim, como quem não quer andar
E paro, sento, suspiro
Ao ver a autenticidade findar.
Ando azeda, insegura e machucada -
ainda que acene feliz, recíproca e educada.
Ando assim preocupada com as roupas a lavar,
os boletos que acumulam, o relatório a despachar.
Ando linda, mas cansada
Nunca, em toda minha vida
Estive mais bonita, inquieta e apressada.
Ando farta, ainda que sorria
pois o feijão anda caro e pouco
e não autenticam minha alforria.
Raíssa Muniz | Teresina - PI
Este poema está publicado no livro "Prêmio Off Flip 2023 - POESIA" pela Editora Selo Off Flip (Paraty/RJ)

0 comentários:
Postar um comentário