sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Manifesto da mulher cansada

 Eu não aguento mais preciosismo

e palavras robustas, mas sem verdade

Não sei se é a idade do pragmatismo

ou a ilusão da liberdade.


Só sei que ando assim, como quem não quer andar

E paro, sento, suspiro

Ao ver a autenticidade findar.


Ando azeda, insegura e machucada - 

ainda que acene feliz, recíproca e educada.

Ando assim preocupada com as roupas a lavar,

os boletos que acumulam, o relatório a despachar.


Ando linda, mas cansada

Nunca, em toda minha vida

Estive mais bonita, inquieta e apressada.


Ando farta, ainda que sorria

pois o feijão anda caro e pouco

e não autenticam minha alforria.


Raíssa Muniz | Teresina - PI

Este poema está publicado no livro "Prêmio Off Flip 2023 - POESIA" pela Editora Selo Off Flip (Paraty/RJ)



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